Imóvel onde viveu o ambientalista abrigará uma empresa de reciclagem, chamada Vida

Construída em 1931, a casa da família Lutzenberger passou por uma reforma de dois anos
A sequência de números 3-9 cravada em uma antiga fachada do bairro Santana indica o endereço que abrigará um legado de mais de oitenta anos. São as memórias de três gerações acolhidas em uma área de 460m². Nesta quarta-feira, o casarão da rua Jacinto Gomes onde viveu o ambientalista José Antônio Lutzenberger será oficialmente tombado como patrimônio de Porto Alegre. E reabre como memorial da família e sede da empresa fundada pelo ecologista.
A casa de três andares projetada pelo pai, o arquiteto e artista plástico Joseph Lutzenberger, tomou forma em 1931. Décadas depois, dado o intenso trabalho do filho, o local pode ser considerado o berço do movimento ambientalista brasileiro. Ali, concentravam-se militantes reunidos pela defesa do meio ambiente, idealizadores da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) e, entre 1987 e 2010, o espaço foi sede da Fundação Gaia.
Dez anos após a morte de Lutz, a reinauguração da casa vai além do resgate de uma história. Projeta, também, a continuidade de um discurso. Os andares superiores abrigam, a partir desta quarta-feira, a empresa Vida, que atua no ramo da reciclagem industrial. No térreo, objetos e lembranças convidarão o público à uma viagem pelo acervo cultural e ideológico deste sobrenome. Lutzenberger. Do avô, às netas Lara e Lilly.
— Fomos felizes ao encontrar um solução que permite ocupar o imóvel com uma empresa que nosso pai criou e, ao mesmo tempo, preservar o vínculo com a sua história — avalia Lara Lutzenberger, também ambientalista.
Lilly Lutzenberger, responsável pelo acervo da família, acompanhou diariamente a rotina de restauração. Registrou em fotos todos os passos da readequação do local e cuidou para que os detalhes da casa fossem preservados exatamente como seu avô um dia quis. Para o funcionamento da empresa de acordo com as normas de acessibilidade, alguns elementos, como um elevador, tiveram de ser acrescentados. A guardiã da memória logo complementa:
— Mas a maravilhosa escadaria de madeira mantém-se intacta — orgulha-se.
O trabalho de ajustar o contemporâneo ao passado é assinado pelo arquiteto Flávio Kiefer, que também foi inspirado pelo clima de sustentabilidade do ambiente e só gasta energia com o necessário. O lema foi renovar, não refazer. E sobre a experiência de meter o bedelho na obra de um grande arquiteto, reconhece a responsabilidade:
— Ele (Joseph Lutzenberger) é uma espécie de sócio que tenho. Mesmo que não ao mesmo tempo, é como se estivéssemos trabalhando juntos — brinca.
Fonte: Zero Hora
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